Entre mil textos que
poderíamos, deveríamos ter escrito, tipo ‘me deixa te fazer bem’, ‘agora eu
entendo porque nunca deu certo com ninguém antes’, ‘a diferença entre amar e
apaixonar-se’, ‘apaixone-se por uma mulher livre’, e outros tantos mais, até
mesmo os mais idiotas, também sobre planos e sobre envelhecer. Entre todas as
coincidências mais incríveis e mais lindas, enviar os mesmos links, mandar as
mesmas fotos ou as mesmas notícias no mesmo instante, entre achar que nos
conhecemos de vidas passadas. Entre toda a história ter um começo indefinido,
casos de ‘engasgamento e evitamento’. Entre todos os relógios desregulados, os
biológicos e os reais, entre as rotinas contrárias. Entre o medo de gostar e a
vontade de ser apenas mais um ‘pega’, porque assumir que quer se apegar é
demais para a nossa reputação. Entre buscar, cada minuto, uma desculpa para
falar, procurar algo, entre atentar-se a cada palavra dita e conhecer a pessoa como
se já fosse amiga há anos. Entre todas as músicas encaixarem-se no momento e no
sentimento, e aquelas que já não são tão cabíveis, mas já foram, serem cantadas
numa risadinha sacana e a resposta ser outro sorriso, mais lindo ainda! Entre
achar que foi uma escolha, e saber que foi a combinação de oportunidade e
escolha bem feita, entre saber que a recíproca é verdadeira e mesmo assim
pensar: fodeu. Entre achar que não tínhamos força para enfrentar nada e saber
que hoje, enfrentaríamos e, enfrentamos o mundo uma pela outra. Entre frases
prontas e todas as mais ‘inovadoras’ possíveis. Entre o ‘sentir’ e ser
inteiramente sentimento. Entre gostar e amar. Entre trocar o sono e a insônia
por dias, tardes, noites, manhãs de companhia. Entre almoçar e ter a companhia.
Entre ser melhor por e pra você, além de ser assim para o resto do mundo que
nos circunda. Entre aprender coisas inimagináveis e gostar de coisas que nunca
demos muita bola. Entre achar graça em cozinhar e ver um jogo de futebol. Entre
aprender receitas por vídeos e pensar: vamos fazer juntas. Entre gostar de
música eletrônica e tomar quentão. Entre a graça de não beber e se divertir
mesmo assim, e beber um pouco, de companhia. Entre evitar uma discussão pelo
prazer de ocupar a boca e os olhos com outra pessoa, mais especial e
importante. Entre o risco do proibido e a vontade de gritar para o mundo. Entre
tirar mil fotos e amar 999. Entre ser companheira e parceira para todas as
horas. Entre acordar cedo para me acordar e bater o maior papo ou dormir mais
umas horinhas no frio. Entre enviar vídeos para salvar links e também para
mostrar as notícias do mundo. Entre erguer bandeira e ver bandeiras. Entre
preocupar-se com ‘o que os outros vão pensar dela?’ e “foda-se o que os outros
pensam dela”, entre saber lidar com ciúme, passado, família, amigos e
falsianes. Entre explicar que não é uma brincadeira e rir quando alguém fala
sobre o ‘prazo de validade’ do relacionamento. Entre ser maduras o suficiente
para confiar e também para aproveitar cada oportunidade para ser feliz, para
sorrir, para fazer feliz, para amar. Entre as adversidades que surgem, entre os
percalços, entre as tristezas, saber tirar um sorriso e fazer sentir bem, um
minuto que seja. Entre apropriar-se dos amigos, da família e da rotina, muitas
vezes sem conhecer. Entre ser parceira até para malhar. Entre querer desistir e
ter alguém te dando força e incentivando, sempre. Entre todas as dores,
físicas, emocionais ou ilusórias. Entre ter maturidade para confiar e ainda
brincar com as loucuras da vida. Entre buscar um porto seguro e ser um porto
seguro. Entre saber que a paz que a gente procura está naquela que a gente
transmite. Entre querer definir tudo e aprender que o que o amor tem de bacana
é ser indefinível. Entre ser companhia e ter vida própria.
Entre todas essas pequenas
coisas, e milhares de coisas mais,
uma sensação indescritível de ‘tô bem’, ‘tô
feliz’, não sei exatamente explicar, mas aí que tá o legal da brincadeira. Ela
ser séria e leve. Ser compromisso e liberdade. Ser responsabilidade sem ser
rotina. Saber admirar o simples da vida. Um sorriso. Um olhar. Um carinho. Um
beijo. Um bilhete escondido na mochila. Uma surpresa daquelas de novela ou
filme romântico. Um presente bobo. A presença de menos de 5 minutos. O esforço
para estar junto. A capacidade de adaptar-se ao que nos faz bem e nem sabíamos.
Acreditar realmente que o simples é incrível e descobrir que assim, de forma
simples, o amor surge. E entre aquela expectativa de que a felicidade bata à
sua porta. E você aprende a dizer: ENTRE!

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