sábado, 23 de julho de 2016

Simplesmente ENTRE!


Entre mil textos que poderíamos, deveríamos ter escrito, tipo ‘me deixa te fazer bem’, ‘agora eu entendo porque nunca deu certo com ninguém antes’, ‘a diferença entre amar e apaixonar-se’, ‘apaixone-se por uma mulher livre’, e outros tantos mais, até mesmo os mais idiotas, também sobre planos e sobre envelhecer. Entre todas as coincidências mais incríveis e mais lindas, enviar os mesmos links, mandar as mesmas fotos ou as mesmas notícias no mesmo instante, entre achar que nos conhecemos de vidas passadas. Entre toda a história ter um começo indefinido, casos de ‘engasgamento e evitamento’. Entre todos os relógios desregulados, os biológicos e os reais, entre as rotinas contrárias. Entre o medo de gostar e a vontade de ser apenas mais um ‘pega’, porque assumir que quer se apegar é demais para a nossa reputação. Entre buscar, cada minuto, uma desculpa para falar, procurar algo, entre atentar-se a cada palavra dita e conhecer a pessoa como se já fosse amiga há anos. Entre todas as músicas encaixarem-se no momento e no sentimento, e aquelas que já não são tão cabíveis, mas já foram, serem cantadas numa risadinha sacana e a resposta ser outro sorriso, mais lindo ainda! Entre achar que foi uma escolha, e saber que foi a combinação de oportunidade e escolha bem feita, entre saber que a recíproca é verdadeira e mesmo assim pensar: fodeu. Entre achar que não tínhamos força para enfrentar nada e saber que hoje, enfrentaríamos e, enfrentamos o mundo uma pela outra. Entre frases prontas e todas as mais ‘inovadoras’ possíveis. Entre o ‘sentir’ e ser inteiramente sentimento. Entre gostar e amar. Entre trocar o sono e a insônia por dias, tardes, noites, manhãs de companhia. Entre almoçar e ter a companhia. Entre ser melhor por e pra você, além de ser assim para o resto do mundo que nos circunda. Entre aprender coisas inimagináveis e gostar de coisas que nunca demos muita bola. Entre achar graça em cozinhar e ver um jogo de futebol. Entre aprender receitas por vídeos e pensar: vamos fazer juntas. Entre gostar de música eletrônica e tomar quentão. Entre a graça de não beber e se divertir mesmo assim, e beber um pouco, de companhia. Entre evitar uma discussão pelo prazer de ocupar a boca e os olhos com outra pessoa, mais especial e importante. Entre o risco do proibido e a vontade de gritar para o mundo. Entre tirar mil fotos e amar 999. Entre ser companheira e parceira para todas as horas. Entre acordar cedo para me acordar e bater o maior papo ou dormir mais umas horinhas no frio. Entre enviar vídeos para salvar links e também para mostrar as notícias do mundo. Entre erguer bandeira e ver bandeiras. Entre preocupar-se com ‘o que os outros vão pensar dela?’ e “foda-se o que os outros pensam dela”, entre saber lidar com ciúme, passado, família, amigos e falsianes. Entre explicar que não é uma brincadeira e rir quando alguém fala sobre o ‘prazo de validade’ do relacionamento. Entre ser maduras o suficiente para confiar e também para aproveitar cada oportunidade para ser feliz, para sorrir, para fazer feliz, para amar. Entre as adversidades que surgem, entre os percalços, entre as tristezas, saber tirar um sorriso e fazer sentir bem, um minuto que seja. Entre apropriar-se dos amigos, da família e da rotina, muitas vezes sem conhecer. Entre ser parceira até para malhar. Entre querer desistir e ter alguém te dando força e incentivando, sempre. Entre todas as dores, físicas, emocionais ou ilusórias. Entre ter maturidade para confiar e ainda brincar com as loucuras da vida. Entre buscar um porto seguro e ser um porto seguro. Entre saber que a paz que a gente procura está naquela que a gente transmite. Entre querer definir tudo e aprender que o que o amor tem de bacana é ser indefinível. Entre ser companhia e ter vida própria.


Entre todas essas pequenas coisas, e milhares de coisas mais, 
uma sensação indescritível de ‘tô bem’, ‘tô feliz’, não sei exatamente explicar, mas aí que tá o legal da brincadeira. Ela ser séria e leve. Ser compromisso e liberdade. Ser responsabilidade sem ser rotina. Saber admirar o simples da vida. Um sorriso. Um olhar. Um carinho. Um beijo. Um bilhete escondido na mochila. Uma surpresa daquelas de novela ou filme romântico. Um presente bobo. A presença de menos de 5 minutos. O esforço para estar junto. A capacidade de adaptar-se ao que nos faz bem e nem sabíamos. Acreditar realmente que o simples é incrível e descobrir que assim, de forma simples, o amor surge. E entre aquela expectativa de que a felicidade bata à sua porta. E você aprende a dizer: ENTRE!

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